07/08/2005 23:26
Single and Fabulous

Faz uma semana que estou com uma gripezinha chata. Não sei se por causa da fragilidade causada pelo influenza, mas passei a semana mais sensível. Daí que você fica incomodada com coisas que antes não incomodariam, em um estado de saúde inalterado.

Sem grandes dramas. Não sei se porque este ano estou parada, sem estudar, depois de anos e anos fazendo só isso, que eu fica me questionando sobre o meu prsente e sobre o meu futuro. O que eu quero fazer? Como fazer a diferença, fazer alguma coisa que realmente importe? No que mais eu posso melhorar??? Interrogações...

Ao mesmo tempo, não sei se estou ficando mais cética ou mais dura, mas tem um monte de coisa que eu "deixava passar" antes, mas que agora incomodam mais. Não quero mais amizades que só sugam da gente... acho que o que eu mais sinto falta ultimamente é cumplicidade. Apesar de estar cercada de pessoas boas, falta um cúmplice, seja um amigo, seja um amor. Essa cumplicidade pra tudo eu encontro hoje apenas nos meus pais. E talvez por isso tenha passado mais tempo em casa, com preguiça de sair pra tentar procurar lá fora alguém que possa ser o cúmplice que eu preciso.

Estamos no mês de agosto; posso contar que foram oito meses de descobertas depois de dois anos imersa em pouco tempo de êxtase e muitos dias de dor. Calma, nada de pânico: depois de ver sonhos desmoronados, eu tive que esperar purgar tudo pra poder construir de novo. Mas hoje, sinto que a construção disso está muito mais difícil do que era antes... na época da inocência. Eu chamo de época da inocência porque era quando eu acreditava em quase tudo, talvez uma distorção da realidade.

Isso não significa que eu me tornei uma pessimista. Por um tempo fiquei pensando assim, até que todas as dores se curassem e os hematomas sumissem. Mas não é nada disso. Fui, vivi e aprendi. É passado. No entanto, faz 8 meses que eu não me interesso por ninguém de verdade. Sabe quando tem alguém que realmente faz com que você fique pensando em ser uma pessoa melhor??? Então...

Pra dizer a verdade, é duro ver todo mundo crescendo emocionalmente (bom, pelo menos deveriam...) enquanto eu estou estagnada. E daí fico pensando, pensando...

Descobri por esses dias que eu sou uma HUNTER. Explico: me dei conta de que eu vou lá e caço as minhas "presas". Acho que todas as vezes que eu gostei de verdade de alguém foi quando eu destaquei aquela pessoa da multidão de todas as outras e fui atrás de conquistá-la. Tem gente que me chama de turrona; e geralmente eu coloco como objetivo nada que seja muito fácil. Tem que ser trabalhoso, tem que ser aquilo que todo mundo quer, tem que ser o melhor... é isso, o melhor. É um grau de exigência de mim para mim mesmo que as vezes parece absurdo. Olha que até eu mesma acho isso. E nesses oito meses parece que a coisa aqui dentro foi endurecendo, endurecendo, endurecendo...

Daí eu fico me lembrando de que quando eu era adolescente, pensava em amores daqueles quase parisienses, com amplas varandas, música de fundo... um vento batendo, o calor da manhã e uma pessoa cujo charme misturaria cultura, simplicidade, paixão pela vida, sinceridade, virilidade e uma proposital timidez. E antes que se pense que eu pretendo sair apenas com modelos de capa de revista ou propaganda de cueca, esclareço... não é nada disso que eu estou falando...

Voltando ainda aos sonhos adolescentes, esses meus amores parisienses seriam muitos, sabe... e aconteceriam meio assim magicamente, sem ter tantos desencontros, como acontece com as pessoas que estão destinadas umas às outras... e isso existe, acredite. Mas não... não foi assim... pelo menos não é... e eu vivo atualmente com uma sensação enorme de deslocamente... estou deslocada, fora do lugar onde talvez estariam os meus "iguais"... ser diferente é legal, mas você carrrega sempre uma sensação de solidão.

Daí que nã há nada demais em mulheres serem sonhadores, em quererm um Ewan McGregor cantando "I Will love you until my dieing day...", como em Moulin Rouge, ou um Johnny Depp, totalmente fora do padrão mauricinho, que será apresentado aos seus pais com aquela rebeldia inerente, mas um olhar mais meigo do que se pode esperar...

Não devemos parar de sonhar e nem esconder que a subjetividade é uma característica que cai muito bem no mundo feminino. O problema é que esse modo de viver está totalmente fora da realidade dos dias de hoje. Nem eu mesma, que protestava tanto contra meu romântismo a la José de Alencar, e que estou aceitando-o agora, consigo visualisar um abiente onde essa maneira de ver o mundo não seja destruída. É sério.

Fico aqui no cantinho, então pensando, se não seria melhor ficar na janela, quietinha, esperando aquela pessoa super bacana aparecer... porque parece que quanto mais a gente espera por ela, pra mais longe ela vai. E daí toca a gente ter que ouvir as baboseiras de quem se julga superior por ter um "namorado" falar como se soubesse mais da vida ou tivesse mais conhecimento apenas pelo fato de dividir os lençóis com alguém. Isso, sim é irritante.

Mas se você quer saber qual é meu maior medo, ele é o de não apresentar pra minha avózinha uma pessoa legal de verdade, que vá tratar ela bem, que vá querer ouvir as histórias dela sobre o sertão Nordestino, sobre o casamento aos 13 anos, sobre os 13 partos... sobre ser avó de um bando de netos. Esse é meu maior medo... maior do que não fazer nada relevante pela humanidade, nem de conseguir colocar mais ética e fraternidade nas pessoas com o meu trabalho de jornalista (ainda boêmia e não estrela).

Ahhhhh... turbilhão de palavras e de sensações.

Uma vez li num horóscopo desses vagabundos de revista teen que quem é "de Peixes" sempre se sente meio um "peixe fora d'água". É assim sabia... ora penso que sou sonhadora demais, que sou voraz demais, que estou fora do ritmo ou que o meu ritmo é mais lento. Exijo muito das pessoas, me decepciono com elas, tolero milhares de outras coisa, mas quando fecho a porta, é muito difícil de abrir de novo. Acho que com o passar dos dias vou ficando mais e mais dura, fechada.

Enfim... amor existe de muitas formas... quando a gente se sente mais sensibilizada, sentimos que ele faz falta. Acho que estamos sempre muito ocupados pra fazer coisa pelos outros, pra deixar um pouco de bom sentimento fluir em troca de... nada... Não estou falando de homem, mullher, nada disso... estou falando de pessoas... Tanto se fala de amizade, de família, de romance... mas tudo volta para a palavra que eu mencionei acima - cumplicidade...

E daí que aqui na minha cama, esperando meu corpo se recuperar a influenza, estou pensando e pensando sobre a vida e o que eu desejo dela. Pensando em como realizar meus sonhos e me soltar das amarras que ãs vezes se colocam sobre mim. Sejam postas por mim mesmo ou pelos outros, eu tenho que tirá-las e seguir sempre em frente.

Eu quero um comanheiro sim, mas eu quero o MELHOR que tiver, eu quero o brilho nos olhos, as mãos quentes, o cheiro que fica na lembrança dias a fio quando penso nele. Não estou sozinha; estou à espera... tenho que gritar isso bem alto, porque minha massa não foi feita para aderir a qualquer um apenas para ter um par do lado. Tem que ser muito ESPECIAL. E se isso significa ficar aqui, sábados sozinha, semanas passando... é a minha vida. E vai ser glamouroso... até que o sonho se torne realidade. Porque aquela imagem de adolescência está aqui no meu presente me norteando...

Hugs,
Srta. Lane
enviada por Lucy






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Sobre Lucy:

Jornalista. A certeza de que o sangue jornal�stico corre nas minhas veias � aterradora e absoluta.

Sonhadora.�Apaixonada por Cinema, pelo U2 e pelas letras de Norah Jones. O mundo � o meu� limite e uma estrada livre pela frente. No r�dio, um rock dos bons, a liberdade batendo no rosto junto com o vento

Entre os sonhos est�o muitas viagens, alguns grandes amores e uma biblioteca particular. Desejo ainda morar em NY para experimentar; namorar em Paris ao menos uma vez; e ter dois affairs ao mesmo tempo: um italiano e um espanhol.

Entre os v�cios, Sex and the City, ler, dormir e comprar sapatos...



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