24/01/2005 02:10
Uma das melhores coisas que tem na vida é entrar no cinema e assistir a um bom filme. Mas eu digo bom mesmo, daqueles que te deixe falando horas sobre o assunto. Ou, em um caso melhor, não te deixe nem falar, porque está muito ocupado se recuperando de tudo que aquela película te causou. Alguns ótimos filmes fizeram isso comigo recentemente... Brilho eterno de uma mente sem lembranças, Má educação, Encontros e desencontros... Este final de semana assisti a mais dois muito bons. Filmes para refletir sobre nossa existência. Segue aqui alguns poucos comentários sobre os filmes, dessa vez sem criticar ou analisar nada.

Ao som do refrão Can't take my eyes of you... can't take my mind of you Natalie Portman e Jude Law se conhecem, em Closer - Perto Demais. Filme adulto, que te prega na cadeira e te deixa com o coração apertadinho em um monte de cenas. Quem teve algum rompimento recentemente deve ir preparado. É um filme cheio de "eu te amo" e tensão sexual, mesmo que nenhuma cena de sexo seja mostrada. Você sai do cinema meio chocado, atordoado, porque reconhece que as relações humanas podem realmente ser daquele jeito.

Já para animar um pouco o coração e manter a crença no romantismo, Antes do Pôr-do-sol, com July Delphy e Ethan Hawke funciona como um bálsamo. Nada de romance bobo e idealizado a la Hollywood. Neste filme, os dois, que se apaixonaram nove anos atrás quando casualmente se encontraram em um trem que ia pra Viena, voltam a se ver. Mais uma vez, casualmente. O local é a cidade de Paris, e tal como em Depois do Amanhecer, produção que conta como eles se conheceram, o casal passa todo o tempo conversando sobre relacionamento, ambições, vida e, claro, amor.

Francesas, brasileiras, indianas, o que se pode perceber aqui na minha mente feminina é que todas as mulheres do mundo são iguais. Querem amar e serem amadas - nada mais. Idealizam o amor e se apegam a cada relacionamento que têm porque está em seus genes essa ambição. Quando Celine, a personagem de Delphy, revela que deixou sua crença no amor ficar naquela noite que passaram juntos, é impossível não pensar em como somos românticas aqui do outro lado da tela.

Ela tem medo de ser romântica como era há nove anos. Tem medo porque teve uma sucessão de relacionamentos frustrantes e se acostumou com aquilo que eles podiam lhe dar. Sem emoção e também sem sofrimento. Isso me parece muito com o que acontece hoje em dia. Com o que sinto que acontece.

A heroína também afirma que cada rompimento para ela é mais difícil de superar que o outro. Porque sempre fica alguma coisa da pessoa nela. Algo que depois ela sente saudades. Porque as pessoas são únicas e porque as mulheres tendem a ser detalhistas. Por mais que se tente apagar uma pessoa da sua vida, alguém que já passou pelo seu coração de verdade, não se consegue. O jeito daquela pessoa ficou em você, algo que nem se refere somente o que se viveu junto, mas às lembranças que caracterizam aquela pessoa quando se pensa nela.

Confesso que essa franqueza me atingiu lá dentro. Afinal de contas, não sei quanto às outras, mas eu sou assim. Sempre tentei e ainda tento relutar em admitir meu lado romântico. Sou cética e por vezes sarcástica com ele. É meio uma auto-sabotagem, como se o fato de você não acreditar impedisse de sofrer. E fica esse conflito interno, porque eu sinto tudo muito. É profundo, dure o tempo que for.

Aliás tempo, nesses casos, é o que menos importa. Uma mulher pode ficar marcada por uma noite com alguém, durante anos. Uma pessoa - corrigindo - pode. É como se sempre ao olhar para trás, aquela lembrança estivesse lá, acenando para você.

Nos dias de hoje, dá medo ser romântica. Dá medo acreditar no amor e achar que só você embarcou nessa onda. Talvez por isso as pessoas se sintam cada vez mais sozinhas; porque se o coração não for preenchido é quase como se você não tivesse vivido aquilo. As vezes se ama sem mesmo falar eu te amo. Como disse Celine, costumamos pensar que esse tipo de encontro acontece aos montes. Mas a conexão com uma pessoa é difícil de se estabelecer, quando de verdade. Não acontece todos os dias, com as milhares de pessoas que cruzam com você.

E mesmo depois, se essa pessoa for embora, é como se a conexão nunca sumisse. Porque ela existiu uma vez. E isso basta pra criar uma história de amor; uma história que seja descaradamente romântica.

PS-Da minha parte resolvi dar um tempo em qualquer história. Ou melhor, em uma história qualquer. O frenesi dos mil encontros nunca foi pra mim e nunca será. Vou ficar na minha, até o próximo Sr. Lane se manifestar.
enviada por Lucy






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Jornalista. A certeza de que o sangue jornal�stico corre nas minhas veias � aterradora e absoluta.

Sonhadora.�Apaixonada por Cinema, pelo U2 e pelas letras de Norah Jones. O mundo � o meu� limite e uma estrada livre pela frente. No r�dio, um rock dos bons, a liberdade batendo no rosto junto com o vento

Entre os sonhos est�o muitas viagens, alguns grandes amores e uma biblioteca particular. Desejo ainda morar em NY para experimentar; namorar em Paris ao menos uma vez; e ter dois affairs ao mesmo tempo: um italiano e um espanhol.

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