28/12/2004 00:53
-Ser o chamado "do contra": se a maioria é PSDB, ele é PT; se torcem para o Corinthians, ele é São Paulo (ou Santos, tanto faz); se defendem o Bush, ele tem um cartaz "vote Kerry" pregado na porta do quarto... e assim por diante
-Ser um "E.T." dentro da família; possuir gostos diferentes do resto do clã, os quais são motivos de piadinhas constantes. É algo do tipo seus irmãos vibrarem com um filme do Steven Segall e acharem "Sobre Meninos e Lobos" muito parado. Isso para não falar dos olhares desconfiados para as produções espanholas, italianas, francesas ou dinamarquesas...
-Ter um vocabulário diferente do resto da família: palavras como prozaico, niilista ou perdulário podem ser comuns para você jornalista, mas tenha certeza de que entre manos e minas você será motivo de chacota e será acusado de falar igualzinho aos seus avós
-Ser viciado em alguma coisa: tipo café, cigarro, coca light, twix, capuccino, coxinha... claro que nenhuma das opções será saudável. Se você vir alguém falando que não pode viver sem um rabanete, tenha certeza de que ele não é jornalista
-Ter manias estranhíssimas: tipo só usar roupa preta ou repetir aquele sapato quando vai fazer alguma coisa importante. No meu caso, específicamente, estou com mania de carregar meus apetrechos para todos os lados onde me movo. Tipo assim: o CD novo do U2 que eu comprei há quase 1 mês nunca saiu da minha bolsa; ele não fica no carro e não fica em casa. Tem que dormir na minha mesa de cabeceira, mesmo não tendo rádio no meu quarto (????)
-Se dividir entre mundos totalmente diferentes. Explico: ser viciado em Cavaleiros do Zodíaco e em filmes de Truffault, ou em Bob Esponja e "Sex and the City" e cinema espanhol. Ou ainda em Capital Inicial e Djavan; ler Bridget Jones e Jean-Claude Bernardet. Hein! Uma coisa não tem nada a ver com a outra, nunca, jamais
-Se comunicar bem através de textos e explanações, mas ser uma catástrofe nos relacionamentos interpessoais. Amizades e romances dão um trabalho filosófico fora do normal
-Ser o mais completo anti-social: dá um super trabalho ter que dar bom dia, boa noite ou qualquer outro cumprimento para as outras pessoas "normais". Ninguém imagina como jornalista é fechado em seu mundinho. E não é por má vontade... é simplesmente por timidez ou completa falta de tato de lidar com as outras pessoas
-Ter ataques de mau-humor freqüentes. Sabe aquelas pessoas risonhas e felizes... esqueça, elas não são jornalistas. Os jornalistas podem ser chamados de "garotos-enxaqueca". Sempre andam com uma nuvenzinha em cima da cabeça, enquanto pensam em suas teorias conspiratórias
-Comentar os textos e respostas ditos pelos outros na televisão. Se você está vendo TV ao lado de um jornalista pode ouvir frases como "quem escreveu a cabeça desse jornal" ou "essa propaganda é estúpida e discriminatória"... Enquanto as demais pessoas prestam atenção na mensagem, a criatura está lá, refletindo sobre o sentido da frase usada
-Ser crítico e irônico. Alguns passam do ponto e se tornam verdadeiras malas sem alças. Outros têm seus momentos "mala". Jornalistas, no entanto, adoram fazer cometários irônicos, piadinhas sarcásticas e críticas aos feitos alheios. Geralmente são pagos só pra fazer isso. Mal pagos, é bem verdade...
-Inventar termos próprios de grupinho, tipo "brain of the year" ou "choro de miss", os quais ninguém mais vai entender nem achar engraçado. E não adianta explicar para os outros achando que vai ficar tudo claro. Não tem graça, a menos que você tenha participado da gênese do momento. Essa é uma característica jornalística totalmente segregatória (nem sei se existe essa palavra)
-Por fim, ser jornalista é palpitar sobre tudo, mesmo quando não é chamado. Perguntar constante "Do que você está falando", reclamar e falar pra caramba. Mas não raro, o jornalista é um bom companheiro de bar, conta histórias engraçadinhas, adora cerveja e sempre tem umas dicas de coisas inúteis e interessantíssimas para dar, como pór exemplo o endereço do blog do Berlusconi na Internet, o site onde você pode fazer brincadeiras de mau gosto com o Bush, detalhes da vida do Gael García Bernal ou ainda, te informar onde fica o melhor boteco da Vila Madalena. Afinal, é para isso que os jornalistas servem
enviada por Lucy






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Sobre Lucy:

Jornalista. A certeza de que o sangue jornal�stico corre nas minhas veias � aterradora e absoluta.

Sonhadora.�Apaixonada por Cinema, pelo U2 e pelas letras de Norah Jones. O mundo � o meu� limite e uma estrada livre pela frente. No r�dio, um rock dos bons, a liberdade batendo no rosto junto com o vento

Entre os sonhos est�o muitas viagens, alguns grandes amores e uma biblioteca particular. Desejo ainda morar em NY para experimentar; namorar em Paris ao menos uma vez; e ter dois affairs ao mesmo tempo: um italiano e um espanhol.

Entre os v�cios, Sex and the City, ler, dormir e comprar sapatos...



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