24/10/2004 23:59
Sábado eu mais três amigas - Cristina Maria, Mariana, Graziellen, decidimos que deveríamos fazer algo inédito para nós: entrar numa sex shop. Como uma conversa sobre o projeto experimental e o cinema foi parar na bendita loja eu não me lembro bem. Só sei que sábado à tarde, por volta das duas horas, entramos numa pequena loja que tinha no nome a palavra fantasia.
OK. Num perímetro quadrado em forma de retângulo (um pequeno retângulo), milhares de objetos fálicos de borracha. Milhares. Tinham as famosas fantasias (empregada, enffermeira, etc), um monte de apetrechos pras mulheres usarem como vibradores (em forma de concha, de borboleta), além de chicotes, algemas, coleiras e outras coisas meigas. A vendedora deve realmente ter achado graça na gente, como se tivéssemos vindo de Marte, ou de Bororó da Serra. Ficou olhando com curiosidade a nossa curiosidade pelos produtos "milagrosos". Pra mim tudo naquela loja tinha muito cara de "made in Paraguai". Umas embalagens com mulheres peitudas que prometiam coisas que eu nem sabia que existia. Enfim...
Confesso que rimos bastante. Principalmente uma da cara da outra, porque sexo é aquilo né, o repertório varia de acordo com a pessoa. Foi engraçado de verdade. A Cris comentou que "não ia tocar em nada". Já as outras, incluindo eu, achamos bem interessante os objetos e claro que não resistimos em deter um pouco mais de atenção para determinadas coisas. Também tinham fitas pornôs no lugar; e, para nosso assombro, enquanto a gente estava lá entrou um cara, alugou um vídeo, e subiu pra se "divertir" sozinho, em alguma cabina lá em cima, sob as instruções da vendedora (que tinha uma super cara de perva). A Graziela me cutucou e me contou a cena, que eu perdi por estar analisando algum daqueles fálicos produtos.
Reitero que foi bem engraçado. Até gel e óleos especiais nós conhecemos. Também ficamos sabendo da imensa gama de produtos (cremes, pós, óleos) para serem usados na hora do sexo. Não convém dizer aqui, mas são muuiiiitas as coisas, como disse a própria vendedora. Quando já estava incomodada com o lugar - a oferta de sexo em excesso me oprimiu um pouco - a Claudia liga no celular. Saída estratégica e um obrigada dito mentalmente, apesar de involuntário.
Fiquei pensando depois, enquanto dirigia para casa, que o sexo movimenta a humanidade. Eu não imaginava que havia público para consumir tamanha variedade de produtos como havia naquela sex shop - que era pequena, por sinal. As pessoas têm seus fetiches e preferências, mas nem todas tratam isso de forma natural, e por isso nossa incursão ao sex shop teve ares de "programa proibido". A situação era mesmo hilária. Ao contrário do que eu imaginava, não há nada de glamour em frequentar uma sex shop; é como um supermercado do sexo, você tem que ser uma iniciada para fazer boas compras.
Talvez mais para frente eu entre de novo nessas lojas - principalmente quando tiver com que usar qualquer produto, porque sozinha nem tá valendo. Talvez num lugar maior, os pênis de borracha oprimam menos. Saber que tem alguém se masturbando no andar de cima também é algo que leva tempo para se acostumar. Mas se você paga para tudo nessa vida, e se vivemos numa sociedade extremamente hedonista, como logo o sexo, iria fugir disso?
PS-Na frente da sex shop tinha uma loja de sapatos enorme, com milhares de modelos. Ela fez a nossa alegria de verdade, muito mais que o passeio anterior. Comprei duas flores de tecido. E saí feliz.
PS2-As quatro visitantes da sex shop são praticamente dinossauras. Falei isso para as meninas. Com mais de 20 anos e nunca haviamos entrado em tal ambiente. Sem problemas, cada um comanda a sua vida como quer, e frequentar sex shops não está na lista de coisas essenciais para a história da humanindade. Mas o modo como as coisas estão acontecendo rápido entre os adolescentes hoje nos faz parecer ETs dentro deste contexto - o de quem inicia a vida sexual aos 12 anos de idade - segundo senso mostrado no Globo Repórter da última sexta. Como diria meu pai, os tempos estão mudados. Ainda prefiro ser uma dinossaura consciente.
enviada por Lucy
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